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segunda-feira, 5 de março de 2012

Contos de Fadas Bem-Humorados - Chapeuzinho Vermelho

Chapeuzinho Vermelho
(Irmãos Grimm)
Imagem: Fantasias Criativas
Uma menina chamada Chapeuzinho Vermelho (não tô de sacanagem é essa história mesmo) foi visitar sua avó que morava distante e estava doente. Sua mãe queria notícias da velha senhora e mandou a filha fazer-lhe uma visita (não existia MSN na época, que pena!), levando alguns doces (muito comum antigamente, hoje é vinho mesmo). 
O caminho era longo e passava por uma floresta. Lógico que o matreiro Lobo-Mau (lembrando que antigamente a palavra lobo era usada com significado de homem mais velho), dizendo ser o guarda da floresta abordou a menina no caminho. Fingiu ser amigo, contou piada, falou de assuntos teen, pois tinha de obter confiança já que queria comer a neta e a avó (no sentido figurado, por favor!). 
Ao chegar à casa da avó Chapeuzinho Vermelho foi tomada de surpresa, pois a achou um tanto diferente de como a conhecia, estaria sua memória a enganando ou ela havia mesmo ganhado pelos no sovaco.
É claro que o Lobo-Mau já tinha papado a velhinha e vestido sua roupa (pra falar a verdade no conto original é muito pior), meteu-se em sua cama, em suas roupas e esperava a menina para dar o bote final. Então apareceu um caçador e acabou com a farra! (quase isso... ainda teve um pouco de sangue... só não digo de quem...)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Adaptações de Lendas Kaingang - O sol e a lua (Rã e Kysã)




Houve um tempo em que os rios estavam secando, os animais morrendo, o mato e as pessoas adoecendo. As árvores não davam mais frutas e não existia lugar em toda a terra onde se pudesse ficar. Os dois irmãos sóis, Rã e Kysã, imensos astros que irradiavam calor, presenciavam tudo. Na verdade, eles eram os responsáveis pelo que estava acontecendo. Até que um dia, tiveram uma discussão.
- Essas desgraças, isso tudo é sua culpa! – disse Rã.
            - Não, é tudo sua culpa, foi você quem... – dizia Kysã, quando levou uma pancada no seu olho.
Ferido Kysã enfraqueceu e tornou-se lua, originando-se, desse modo, a noite iluminada pela lua. Rã, o mais forte dos irmãos, a partir daquele dia, tornou-se o único a iluminar o dia, dando-nos luminosidade e calor suficientes para a vida. À noite, desde então, temos a lua (kysã), que nos dá a escuridão necessária para o repouso, e, durante o dia, o sol (Rã), que ilumina nossos dias e florestas.
Até hoje, assim que o sol se põe, a lua nasce. Desse modo, os dois nunca se encontram para não brigarem novamente. 


Lenda Kaingang narrada pelo professor kaingang Dorvalino.
Adaptada pelo acadêmico Alex Sandro Maggioni Spindler
e revisada pela Profª. Me. Rosemari Lorenz Martins.

 
 Glossário
 Rã = sol
Kysã = lua

Adaptações de Lendas Kaingang - Origem do Fogo


Quando a humanidade não conhecia o fogo, somente o sol fornecia calor, a lua (irmão do sol) não era quente e as noites eram frias. Os homens já não podiam viver sem o fogo, precisavam dele para fazer seu assado, aquecer-se e realizar seus rituais...
Havia uma índia chamada Laravi, muito diferente dos outros, ela conhecia várias coisas que os outros não conheciam e uma delas era o fogo. Ela guardava o fogo em sua habitação e não compartilhava com ninguém. Tal segredo despertava muita curiosidade no guerreiro Fijetó, que sabia da sua existência.  
- Vou me transformar numa gralha branca e então roubarei o fogo. – pensou ele.
Sobrevoando a floresta, o guerreiro observou que Laravi estava brincando no rio. Então, de repente, Fijetó, em forma de gralha, jogou-se na água, deixando a correnteza levá-lo até bem perto da índia, que o pegou e levou para dentro da sua habitação para secá-lo ao lado do fogo.
Quando as penas secaram, o guerreiro, ainda transformado em gralha, pegou com o bico um pedaço do fogo e fugiu. Fijetó, em forma de gralha, voou até uma árvore. Depois, levando o fogo no bico, foi até a aldeia, mas o peso do ramo fez com que ele não aguentasse voar por muito tempo, por isso decidiu arrastá-lo pela floresta, provocando um enorme incêndio.
A floresta queimou durante dias e dias, e índios de diversas tribos ajudaram-se para apagar o fogo. E, assim, aprenderam também a fazer fogo. Desde aquele dia, as fogueiras de todas as tribos estão sempre acessas.


Lenda Kaingang narrada pelo professor kaingang Dorvalino.
Adaptada pelo acadêmico Alex Sandro Maggioni Spindler
e revisada pela Profª. Me. Rosemari Lorenz Martins.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Adaptações de Lendas Kaingang - Origem do Mundo Kaingang


  Em tempos remotos, aconteceu um dilúvio que cobriu todo o planeta Terra, que era habitado então pelos nossos antepassados. Somente o cume da Serra Krinjinjimbé (Serra do Mar) sobressaía-se da extraordinária inundação. 

  Os Kaingang, Kaiurucré e Kamé nadavam em direção à Serra do Mar, cada um com um luminoso tição (pedaço de madeira acesa) entre os dentes. Os Kaiurucré cansaram, afundaram e lá pereceram. Os Kaingang, por sua vez, mesmo com dificuldade, atingiram o alto da serra Krinjinjimbé, uns estabeleceram-se no chão, outros nos ramos das árvores, já que não acharam outro lugar. 

  Passaram-se vários dias sem que as águas baixassem. Sem nenhum alimento, os índios esperavam a morte. Foi daí que ouviram o canto de saracuras, que lançavam terra na água formando uma grande barreira de barro assentado. Logo as águas começaram a recuar. Os Kaingang clamavam às saracuras que se apressassem; estas redobraram seus gorjeios e convidaram os patos para que as ajudassem na tarefa.
  Em pouco tempo, conseguiram formar uma planície espaçosa no monte, dando bastante campo aos Kaingang, com exceção daqueles que tinham se refugiado nas árvores: estes foram transformados em monitós ou macacos, e os Curutons, em caroias, macacos urradores (Bugio). As saracuras tinham começado seu trabalho do lado de onde sai o sol, essa é a razão pela qual os rios e arroios kaingang tomam seu curso na costa e desembocam no grande rio Paraná.



Lenda Kaingang narrada pelo professor kaingang Dorvalino.
Adaptada pelo acadêmico Alex Sandro Maggioni Spindler
e revisada pela Profª. Me. Rosemari Lorenz Martins.

Adaptações de Lendas Kaingang - As Línguas do Mundo



            Desde o início da humanidade, os Kaingang interpretam o mundo de línguas ao seu redor. Pensando nisso, um dia, no centro de sua tribo, um velho índio falou a todos com muita calma.
- Nós achamos que somos inteligentes... mas os animais são mais inteligentes, os pássaros, por exemplo, sabem muitas línguas que o ser humano nem sequer conhece. – disse, enquanto olhava o horizonte.
- E qual é o animal mais sábio em línguas? – questionou um dos aprendizes, muito interessado. Após pensar um pouco, o velho índio respondeu.
- O que mais sabe línguas é o tigre. – disse – Nós, os Kaingang, aprendemos a interpretar as línguas com os animais, a palavra Kaingang, que dá nome ao nosso povo, por exemplo, vem da língua de um pássaro. Há muito tempo, índios andavam pela floresta, quando, de repente, notaram um pássaro que repetia aos gritos a palavra “kaingang” em sua direção. A partir de então, os índios que o ouviram cantando, acreditaram que este era seu nome.
Por isso, os índios Kaingang interpretam muitas coisa que os pássaros fazem. Mas não são só os pássaros que são sábios, cada vida tem seu poder na visão dos índios. As aves sabem do futuro, elas sabem tudo que vai acontecer; o tigre é o sábio das línguas, apesar de cada ser na terra ter sua própria língua.
- E o sol, tem língua? – questionou um menininho que estava sentado bem na frente.
- Às vezes, o sol está fraco, triste, cansado, outras vezes, brilhoso, gostoso...  sabem o que isso quer dizer? O sol está dizendo que ele está brabo, já que está queimando, mas as pessoas não o interpretam bem. Então o sol fica nublado e a humanidade triste – respondeu o índio. – Sim, o sol tem língua, mas nem sempre é compreendido. 


Lenda Kaingang narrada pelo professor kaingang Dorvalino.
Adaptada pelo acadêmico Alex Sandro Maggioni Spindler
e revisada pela Profª. Me. Rosemari Lorenz Martins.

Adaptações de Lendas Kaingang - O Tigre e o Macaco




Certo dia, o tigre, sábio das línguas e por isso um dos predadores mais eficazes, saiu para buscar alimentos, já que o inverno estava chegando. O macaco ficou encantado com a mulher do tigre, por isso ficou admirando-a. Quando o tigre partiu, foi conversar com ela:


- O que tu tá fazendo? – perguntou com ar desinteressado.


- Recolhendo folhas, puxando lenha, pois o inverno está chegando...  – respondeu a tigresa.


- E o compadre, tá em casa? – questionou o macaco.


- Ele não está... foi caçar, mas vamos entrando mesmo assim! – insistiu a mulher do tigre.


            Então ficaram os dois conversando até que a noite chegou.


Quando anoitece, a mata fica perigosa e poucos animais são corajosos o suficiente para encará-la. Vendo a escuridão, a tigresa convidou:


- Podes dormir aqui. – disse, ajeitando-se para dormir.


O macaco gostou da ideia e prontamente aceitou o convite. Havia uma grande fogueira no meio da morada, sua chama amarelada refletia uma forte luz que causava sombras nas paredes de madeira de eucalipto seca. Dormiam cada um de um lado da fogueira, no entanto, volta e meia o macaco tremia, batia o fogo e se coçava, para mostrar que sentia frio.


- Tem muita pulga aqui onde eu tô deitado, não consigo dormir. E se eu fosse deitar aí perto de você, daí a gente poderia se esquentar – propôs o macaco. A tigresa aceitou.


Quando estavam juntos, o macaco, no escuro, mexia-se muito e tocava-a meio sem querer. E perguntava:


- O que é isso?


- Meu cabelo, meus olhos, meu nariz, meu umbigo... - respondia a mulher do tigre, até que pegaram no sono.


De manhã, quase dia, o macaco escutou os passos do tigre voltando e fugiu às pressas. Apesar da mulher do tigre afirmar que ninguém havia estado ali, o tigre conhecia a linguagem das coisas. Fez uma busca nos arredores e encontrou vários macacos dormindo nas árvores. E, sabedor das línguas, percebeu logo que não era nenhum daqueles que havia estado em sua casa. Continuou a busca por muitos quilômetros até que encontrou seu compadre dormindo de barriga para cima em um galho.


- Foi você que esteve na minha casa, não foi?! – perguntou o tigre.  


Tinha sido ele. O tigre sabia mesmo das coisas!


  



Lenda Kaingang narrada pelo professor kaingang Dorvalino.
Adaptada pelo acadêmico Alex Sandro Maggioni Spindler
e revisada pela Profª. Me. Rosemari Lorenz Martins.