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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Poesia em Prosa - Uma constatação óbvia
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Poemas - Canção de Exílio
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| Imagem: Portinari |
Onde canta o Sabiá;
Os políticos, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso Senado tem mais estrelas
Nossas Câmaras têm mais vereadores
Nossos superfaturamentos têm mais vida
Nossa vida mais amores
Nossas Câmaras têm mais vereadores
Nossos superfaturamentos têm mais vida
Nossa vida mais amores
Sozinho, à noite, em cismar!
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem Carnaval, CPI e Futebol
Onde canta o Sabiá
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem Carnaval, CPI e Futebol
Onde canta o Sabiá
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em lembrar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem gente passando fome,
Onde canta o Sabiá.
Que tais não encontro eu cá;
Em lembrar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem gente passando fome,
Onde canta o Sabiá.
Sem que antes tudo mude por lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro eu por lá;
Sem que o povo aviste as verbas,
Onde canta o Sabiá.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Poesia em Prosa - Sobre o estar só
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terça-feira, 23 de agosto de 2011
Contos - Janta na Taverna
Era terça-feira à noite. Chovia muito. E após um dia exaustivo de trabalho fácil e agradável não havia nada melhor que beber um pouco em uma taverna (Pub para os contemporâneos). Sim, meu amigo, o dia havia sido exaustivo, pois o tempo, data e hora são potencializadores do cansaço, o trabalho é apenas, no pior dos casos, demasiado simples e primitivo, daí a confusão. Pois então, deixei meu casaco na chapelaria do recinto e me sentei à mesa mais próxima do balcão. Logo, pedi uma bebida e coloquei um Malboro de cabeça pra baixo. Na vitrola, tocava I want you de Peter Framptom agradável demais para uma terça-feira, diga-se por sinal. Pensando bem, conhecia pouco o Peter, mas a única coisa que sabia ao certo é que o achava tímido como uma ostra.
Era isso. Pediria um petisco! Será que eles teriam ostra?!
– Amigo, traz um petisco no capricho, por favor! – disse, impondo minha voz de macho alfa. Ele fez um “OK!” com o polegar, era a minha deixa. Fui ao banheiro lavar as mãos.
Quando voltei, o petisco já estava na mesa. Acomodei-me, e comecei a comer os maravilhosos bolinhos. Ademais, notei um rapaz sentado na cadeira oposta à minha. - Como era possível?!, - pensei. Ele poderia ter se confundido já que deixei a mesa vazia por alguns instantes. Ou... talvez quisesse confusão mesmo. O que um homem como eu faria para defender seus interesses? Educado como sou, resolvi não falar nada. Criar caso pra quê? Mandar o cara pro hospital, ter de pagar advogado, essas coisas... Iria ignorá-lo, havia decidido.
Peguei o jornal e comecei a folhear, enquanto isso comia meus deliciosos bolinhos. Mesmo assim, ele me encarava, mas eu fingia não notar. Porém, algo inacreditável aconteceu: ele pegou um dos petiscos. Sim, isso mesmo, um dos meus bolinhos. Não deixei barato! Fixei o olhar nele (no estilo brucutu dos filmes do Stallone) e peguei um também, como quem mostra e tem convicção do que lhe pertence. Ele me encarou e pegou outro petisco. Como ousa, pensei. Outrora o mataria ali mesmo. Encaramo-nos, por algum tempo... Ele pegou outro e fez uma cara muito feia, mas feia MESMO, parecia doer pra caramba. Tentei fazer o mesmo, infelizmente tive câimbra na gengiva. Doeu pacas.
Estávamos num impasse e meus petiscos estavam acabando. Os dois continuaram a pegar os bolinhos. Um de cada vez. Sem piscar. Sem olhar para a bandeja, movendo somente antebraço e pulso. A coisa havia ficado deveras feia. A paciência havia se esgotado. Uma catástrofe ia acontecer... Estava me levantando pra tirar satisfações com sujeito quando o garçom do local se intrometeu.
- Senhor - disse ele.
- Pois, não? - respondi, sem nem olhar pro lado.
- O seu pedido está pronto. Devo trazê-lo a esta mesa ou a que o senhor estava antes?
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